Você
que nos dias quentes me fez gelar de medo
Você
que nos dias noites clareou meu espelho
Você
que durante toda uma vida viveu
Deixou
de viver nesse quarto seu.
Você
que quando brigava fazia sorrir
Você
que quando chorava fazia cair
Você
que durante toda uma angústia venceu
Deixou
de vencer nesse quarto meu.
Eu
que nos dias frios te chamei gelo
Eu
que nas noites tão claras te chamei desejo
Eu
que durante toda uma vida te amei
Deixei
de te amar como sei.
Eu
que quando sorria te abrigava
Eu
que quando chorava te obrigava
Eu
que em toda uma angústia me perdi
Deixei
de te amar por aqui.
Nós
que nas tardes de sol fazíamos queimar
Nós
que espelhamos o reflexo de um tal de amar
Nós
que durante tanto tempo duramos
Deixamos
ser duros como agora estamos.
Nós
que briga nenhuma pôde separar
Nós
que choro nenhum conseguiu separar
Nós
que nós mesmos nos separamos
Estranhos,
se parados ficamos.
E
eles que coisa alguma sabem
Pensam
que podem saber
Um
pouquinho mais de nós dois
Do
que eu e você.
Não.
Não sabem.
Ninguém
mais sabe.
A
dor do fim do amor só cabe
Em
quem for que ele acabe.
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