Era uma festa com pessoas comuns
Comuns de um mesmo gênero
Comum de dois.
Com copos e taças nas mãos esquerdas
E trapaças que vinham na contra mão.
Um grupo dançava a música mais tocada
Outro grupo, cantava um grupo não tocado
Todo mundo sabia exatamente o que fazer
E eu, procurando um guardanapo.
O banheiro mais próximo parecia tão longe
Quanto a minha vontade de estar ali
Atravessar toda essa sala
Parece impossível a olho nú.
Sento no braço da poltrona
Ou no braço de alguém
E te vejo tão distraída na distração de um ninguém
Na sua mão direita, havia um guardanapo.
Já eram outras músicas,
os grupos os mesmos
Tanta gente tonta, em ambos os sentidos
Sentido horário, que horas são?
Ponteiros também na contramão.
Não passava nada, e nada ficava
Uma sensação de não pertencer aquele lugar
Uma distração tão tonta, e sem sentido
Até que você começou a dançar.
Eu deveria ter ido até você
Mas cruzar essa sala é impossível a olho cru
Quem sabe com mais uns goles
Quem sabe ao tocar uma menos tocada.
Você olhou pra mim e sorriu
Um riso que fez tudo aquilo fazer sentido
O sorriso mais bonito, diga-se de passagem
Pelo menos dessa festa de garagem.
Como se eu gostasse de dançar, fui pra sua dança
Como se eu gostasse do que gostam, fui pra te gostar
Como se eu fizesse parte desse lugar, fui te alugar
E você já não pareceu tão distraída.
Nada mais tinha a minha atenção
Nem a musica mais tocada, nem o grupo que não se toca
Nem o banheiro, nem a sala
Nem nenhuma dessas modas.
Eu tomei mais um gole,
Eu sorri junto contigo
E você me ensinou que nem tudo precisa ter um motivo.
Mas um motivo fez tudo parecer tão bom
Um sentido tomou outra direção
Um guardanapo em contramão,
Um guardanapo encontra a mão.
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