Nem tudo se parece com o que é
Nem todo se, parece condição
Nem todos se parecem com os pais
Nem todo pra sempre, é algo a mais.
Sentado vendo a vida passar
Folheio papéis sem entender uma palavra
Onde eu estou? Me tirem daqui!
Não existe mais o abra cadabra.
A hora não passa de jeito nenhum
Ora ora, um dia eu quis que ela não passasse
Eu acho que nunca na vida me senti tão só
Ora, e peça a Deus menos nó.
Continuo sentado no mesmo papel
Um observador nato acima dos outros
Me sentindo tão pequeno nessa ilha
Um milho amarelo, numa latinha de ervilha.
É agora que bato na mesa e levanto
Grito com um ou com dois e espanto
Dedo na cara, salto pra vida ou nem tanto
É mais um sonho acordado antes do pranto.
Esse medo de crescer que me atormenta
Essa vontade de correr que me devora
Esse meu jeito sentado e acomodado
Não vai me levar pro lado de fora.
Queria parecer mais com meus pais
Queria orar mais, por essas noites
Queria não deixar intimidar pela condição
Queria ser pra sempre, mas sei que não.
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