Talvez eu não sinta saudade de você
Talvez não dê pra perceber
Que quando eu chego aqui, calado na noite
Não tem ninguém querendo me receber.
Que na calada dessa noite fria
Onde antes alguém tinha que ceder
Hoje é só tristeza,
Que a solidão me faz por merecer.
Eu não sinto saudade de você, talvez
Quem sabe falta da tua risada
Aquela da piada sem graça
Ou de quando um de nós perdeu a vez.
Parecia uma criança que ri do próprio riso
Aquela adulta que sabia chorar
Um filme que nunca acaba
Por sempre estar prestes a acabar.
Eu talvez não sinta de você saudade
E sim daquelas brigas de dias escuros
E de fazermos as pazes, sem pedir desculpa
De nunca descermos de cima dos muros.
De ouvir contigo tua musica predileta
De não gostar dela, mas não te dizer
Do mesmo jeito que me amava e não dizia
Do mesmo jeito que querendo ficar, se despedia.
Eu não sinto saudade talvez, de você
Há muito mais pra sentir daqui
Como tua vontade de ganhar em tudo
E o fingimento de querer me perder.
O sorriso que você me emprestava
Os espelhos que não refletiam
As dicas de beleza que você oferecia
Pra quem pudesse apenas te ver.
Eu sinto saudade de algo mais
É dessa história nossa mal contada
É da minha canção não cantada
É de algum pouco tempo atrás.
De saber que você era minha
Como uma mão é do braço
Mesmo que essa mão tão vaidosa
Dê mais importância aos anéis.
Uma belíssima rosa,
Delírios infiéis.
Delírios infiéis.
Saudade das pétalas, não da flor
Resquícios de paixão, não de amor.
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